Lendo a matéria entitulada “Quem tem culpa do cartório?” (de 19/09/2002), fiquei indignado com a discriminação ou superioridade deste jornalista o qual deve ser conceituadíssimo pelo que expôs no texto. Como cidadão e notário fiquei ofendido com a discriminação feita pelo mesmo.
Vou expor minha repulsa inicialmente como cidadão.
Pergunto-me o que tem esse Sr. Mario Prata de diferente do cidadão normal? Um cidadão comum deverá apresentar documento de identificação como todo brasileiro o faz. Será que pelo fato de ser jornalista ou escritor, deverá ser tratado de forma diferenciada, sendo obrigatório a todos conhecê-lo? Caso eu, como cidadão, estivese na fila e o tabelião ou escrevente reconhecesse a firma de outro sem fazer as mesmas exigências feitas para reconhecer a minha, sentiria-me indignado (e sobretudo ofendido). Até quando o jeitinho brasileiro vai prevalecer? Andar sem documentos já deveria caracterizar um delito. Se este cidadão jornalista conduziu seu automóvel sem documento identificatório, não teria também esquecido sua habilitação?
Como notário, penso que o jornalista como pessoa culta e com um conhecimento superior ao de muitos brasileiros não poderia nem sair de sua residência sem documentos identificatórios. Quanto ao programa que o mesmo participou (cita no texto `PROGRAMA DO JÔ`) alguns devem lembrar quando o entrevistador Jô Soares levou um entrevistado em seu programa que se dizia guru e não era nada mais que um falsário, tendo praticado um grande golpe no Rio de Janeiro em um congresso, enganando a todos que fizeram a inscrição para participar da palestra. Bem, se este falso guru comparece-se no cartório sem documentos de identificação, só porque apareceu programa do `Jô` teríamos que reconhecer sua firma?
Temos que ter consciência que os serviços prestados pelos cartórios não são meros atos de bater carimbos, mas sim colocar no papel que aquele cidadão possui capacidade, legitimidade, vontade de praticar o ato, se não fosse assim não haveria o porquê destes serviços existirem.
Com a complexidade existente nas transações, a cada dia está mais claro a necessidade destes serviços, divididos em vários ofícios com finalidade diferentes, mas todos merecedores de nossa confiança e respeito.
Atos como este nos fazem refletir que a necessidade tende a crescer, até para evitar litígios futuros, pois muitos acham que estão além da lei e normas estabelecidas.
Ricardo Gentil Marcon Júnior
Escrevente autorizado e Substituto
Tabelionado de Notas e Registro Civil das Pessoas Naturais
Santa Izabel do Oeste – Paraná.

