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1 milhão de crianças não foram registradas em 2002

Data de Publicação: 18 dez 2003

Um milhão de bebês nascidos no Brasil em 2002 não são reconhecidos como cidadãos porque deixaram de ser registrados. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do total de 3,5 milhões de nascidos vivos no ano passado, 24,4% não tinham certidão de nascimento, taxa considerada elevada, de acordo com a pesquisa Registro Civil, divulgada nesta quarta-feira.

O IBGE, entretanto, ressalta que o número de bebês que não foram registrados pode cair para 800 mil devido ao prazo legal de 90 dias para o registro. Essa diferença de 200 mil bebês refere-se aos nascimentos ocorridos nos meses de outubro, novembro e dezembro, ou seja, período no qual o prazo legal para o registro ainda é válido.

A falta de registro impede, por exemplo, o recebimento de benefícios do governo, como os oferecidos pelos programas sociais.

Mesmo a entrada em vigor no final de 1997 da lei que assegura a gratuidade dos registros de nascimentos no país, não houve diminuição significativa nos números dos que não tinham certidão de nascimento. Em 2001, este percentual era de 25,6%. No ano anterior, correspondia a 22,7%.

Registros

De acordo com o demógrafo da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE Celso Simões, a falta de informação é o principal fator para o baixo nível de registros de nascimentos.

Em 1999, quando foi realizada uma campanha nacional sobre a lei, aumentou a cobertura dos registros de nascimentos. Naquele ano, a taxa de nascidos não registrados em relação ao total de nascidos foi de 20,9%.

No entanto, com a interrupção da campanha, o número de nascidos não registrados subiu nos anos seguintes. Outro entrave é a precariedade do funcionamento do fundo de compensação dos cartórios, que tiveram perdas de receita com a lei que obriga o registro gratuito. Em muitos Estados, esse mecanismo não funciona, desestimulando o trabalho dos cartórios.

O IBGE apurou ainda o chamado registro tardio –aquele que é realizado após 90 dias do nascimento. Em 2002, os registros de nascimentos atrasados corresponderam a 29,9% do total de nascimentos. Nas regiões Norte e Nordeste, onde o desenvolvimento econômico-social é inferior que o resto do país, os percentuais de registro tardio são os mais elevados, de 60,7% e 45%, respectivamente.

A pesquisa Registro Civil contém dados sobre a totalidade de nascidos vivos, índice de casamentos, mortes e óbitos fetais informados pelos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais, e de separações e divórcios declarados pelas Varas de Família ou Varas Cíveis.

Fonte: Ana Paula Grabóis da Folha Online, no Rio