Noivos se queixam de valores cobrados pelas paróquias; Arquidiocese diz que existe tabela e que os preços são negociáveis
O sonho de casar na igreja, de branco, véu e grinalda, em quase não se realizou para Marcela (nome fictício). Católica e de família numerosa, Marcela fez questão de casar na igreja e poder proporcionar um dia especial para todos os familiares. Por morar na Área Central de Londrina, a noiva escolheu a Paróquia Imaculada Conceição, localizada na Rua Belo Horizonte, mas quando foi informada do valor que seria cobrado para a cerimônia de casamento – R$ 700 – Marcela ficou “extremamente decepcionada”. “Acho isso um absurdo. Na cidade do meu noivo nem se cobra para casar nas igrejas. Existe uma tabela, é um absurdo isso. Parece que você está entrando num shopping e comprando uma mercadoria. Senti vergonha de ser católica”, comenta Marcela. Sem condições de pagar os R$ 700, Marcela negociou para que o valor pudesse ser reduzido. “Uma pessoa nos ajudou e então conseguimos reduzir para R$ 350. Esse valor é só pra você entrar e casar. Não dá nem 40 minutos de cerimônia”, salientou.
Outra noiva que se assustou com o valor cobrado pela igreja foi a vendedora Rafaela Tardeli. O casamento de Rafaela está marcado para dezembro e será realizado na Paróquia Coração de Maria, também no Centro. Para casar lá, a vendedora terá que pagar R$ 400. “Já dei R$ 200 que é para segurar a data. Eu queria uma igreja pequena e que tivesse ar condicionado porque em dezembro faz muito calor. Tive que pagar R$ 25 para fazer o curso de noivos. Achei muito caro, não esperava ter que pagar tudo isso”, comenta. O pai de Rafaela, Milton de Andrade Filho, também não gostou do valor e considerou a taxa “abusiva”. “Isso é um comércio. Falam tanto que a igreja é casa de Deus, mas para mim isso é um comércio”, reforça.
Segundo o assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina, padre Romão Antonio Martins, existe uma tabela da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que estipula uma taxa de R$ 113 por celebração nas paróquias. Porém, normas do Conselho de Pesbíteros e Colégio de Consultores da Arquidiocese de Londrina, permitem que cada Arquidiocese tenha autonomia para cobrar o valor que quiser. “O que orientamos é que para dizimista não se cobre nada. Como tem paróquias com funcionários para abrir e fechar as igrejas, para cuidar do estacionamento, acabam cobrando de acordo com sua realidade. Ainda assim, reforçamos que não se cobre taxa que ultrapasse o teto máximo de 70% do salário mínimo nacional”, explica. Questionado sobre o valor cobrado pela Paróquia Imaculada Conceição, padre Romão salienta que até o ano passado havia problemas com valores por conta dos horários das celebrações, pois, segundo ele, aos sábados à noite, o casamento não poderia passar das 18 horas. “Algumas pessoas insistiam para que o casamento fosse realizado mais tarde, então a paróquia cobrava um pouco mais caro. Hoje em dia já não há mais regras para os horários, mas para os valores sim. A Imaculada já deve ter se enquadrado aos valores corretos, caso contrário, isso pode ser levado para o Bispo. Além do mais, ninguém deixa de casar na igreja por questões econômicas. Se alguém tiver problemas com isso pode entrar em contato com a Cúria Arquidiocesana”, ressalta.
De acordo com a secretária da Paróquia, Sônia Regina Camilo, a taxa de R$ 700 é cobrada para quem não faz parte da comunidade e que opta por casar no sábado à noite. Ela explica também que cerca de 90% das pessoas que casam na paróquia são de outras regiões e que a igreja é muito requisitada, chegando a realizar, em média, até dois casamentos por final de semana. “O valor é puxado para que essas pessoas procurem utilizar as suas paróquias. Elas buscam a Imaculada porque é no Centro da cidade e é uma igreja pequena; com isso, o preço que os noivos pagam na decoração, cai pela metade. Mesmo assim, fazemos qualquer tipo de negociação, podemos facilitar o pagamento”.
Fonte: FOLHA DE LONDRINA
Fernanda Borges
Reportagem Local

